No dia 14 de julho, celebramos São Camilo de Lellis. Nascido em Bucchianico a 25 de maio de 1550 e falecido em Roma a 14 de julho de 1614, Camilo de Lélis é a figura histórica indissociavelmente ligada à cruz vermelha que obteve autorização do Papa Sisto V para coser no seu hábito religioso, em 1586.
Segundo o seu primeiro biógrafo, o Padre Sanzio Cicatelli, o uso da cruz no peito servia três propósitos: distinguir o grupo dos jesuítas, simbolizar a total dedicação e entrega como "escravos" ao serviço dos doentes pobres, e lembrar que se tratava de uma vocação de sacrifício, sofrimento e abnegação.
A conversão de Camilo ocorreu em 1575. Inicialmente, tentou ingressar nos Capuchinhos, mas foi rejeitado por duas vezes devido a uma ferida crónica na perna, sofrida durante o seu passado militar. Foi precisamente enquanto recuperava no hospital romano de São Tiago que teve a intuição de fundar os "Servos dos Enfermos" (hoje conhecidos como Camilianos), unindo a disciplina militar à caridade cristã.
Os membros da congregação faziam quatro votos: obediência, pobreza, castidade e o serviço aos doentes.
Camilo é considerado o maior reformador da profissão de enfermagem e da organização da assistência hospitalar. Numa época em que os doentes eram frequentemente abandonados à própria sorte nos hospitais, Camilo introduziu a visão revolucionária de que quem cuida de um doente deve tratar tanto do corpo como do espírito. Homem prático, dotado de um profundo bom senso, de uma doçura paternal e de uma enorme capacidade de discernimento, o seu legado assentou em diretrizes simples mas profundamente humanizadoras para a saúde.
Um dos factos mais extraordinários e "maravilhosos" da vida de São Camilo de Lélis é o episódio do Crucifixo que falou com o santo e encorajou-o numa fase de grande provação.
Aconteceu no ano de 1584, quando Camilo tentava fundar a sua associação para cuidar dos doentes (os futuros Camilianos). Ele enfrentava uma oposição feroz, incompreensão e graves dificuldades financeiras. Desanimado e atormentado por dúvidas sobre se aquela obra era realmente a vontade de Deus ou apenas vaidade pessoal, Camilo retirou-se para a capela do Hospital de São Tiago, em Roma, para rezar diante de um crucifixo de madeira.
Enquanto chorava e pedia orientação, a imagem de Jesus no crucifixo ganhou vida: despregou os braços da cruz, estendeu as mãos na sua direção e disse-lhe claramente:
"Não te aflijas, cobarde! Continua a tua obra, porque esta não é uma obra tua, mas sim minha, e eu hei de ajudar-te."
Este prodígio transformou por completo o coração de Camilo. Com a certeza absoluta de que o próprio Cristo sustentava a sua missão, ganhou uma força inabalável para superar todos os obstáculos e revolucionar a assistência hospitalar.
Este mesmo crucifixo milagroso foi preservado e encontra-se hoje na Igreja de Santa Maria Madalena, em Roma, onde o corpo de São Camilo está sepultado.


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