“É mais fácil encontrar ouro do que um coração puro como o de Domingos Sávio”, afirmava São João Bosco
O cristianismo não é uma coisa do passado, vivido como se olhássemos sempre para trás, para os tempos evangélicos, mas sempre novo, pois está marcado pela presença constante de Jesus Cristo, que está no meio de nós, e que é de hoje, ontem, amanhã e toda a eternidade. Na história da humanidade, encontramos “pegadas” de Deus. Este blogue procura, humildemente, mostrar alguma delas.
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sábado, 14 de março de 2026
Domingos Sávio, o santo de coração puro, primeiro aluno do Oratório de Dom Bosco a ser canonizado
“É mais fácil encontrar ouro do que um coração puro como o de Domingos Sávio”, afirmava São João Bosco
Sem a noção clara do que é o pecado, a santidade torna-se uma meta incompreensível
O pecado é uma palavra que hoje parece ter desaparecido. “Na consciência comum – e às vezes também na vida da Igreja – tudo é explicado como fragilidade, ferida, limite, condicionamento. Quando ainda se fala de pecado, muitas vezes ele é reduzido a um pequeno erro ou a uma fraqueza”. Se nos limitarmos a isso, desaparece também “a grandeza da liberdade humana e da sua responsabilidade”.
Se não existe mais a possibilidade de um mal verdadeiro,
não podemos acreditar nem mesmo na possibilidade de um bem verdadeiro. Se o
pecado desaparece, também a santidade se torna um destino abstrato e
incompreensível.
No pecado, o homem reconhece que “a sua liberdade é real
e que com ela pode construir e destruir: a si mesmo, aos outros, ao mundo”. É
necessária, portanto, “uma cura profunda”, por isso a conversão é “um
itinerário exigente” para recuperar a relação com Deus, uma repetição nos
gestos da escolha de viver no amor e na liberdade, mesmo com esforço, que não é
em si “estéril”, mas expressão da “fidelidade de quem já vislumbrou o sentido e
o valor do que vive”.
Padre Roberto Pasolini, Pregador da Casa Pontifícia, primeira
meditação da Quaresma, 6/3/2026 - Foto
Vatican Media
O amor à Igreja faz crescer a determinação para praticar o bem e para recusar o mal
O amor a Deus é a fonte de todas as virtudes. Quem ama se salva, porque depois praticará os Mandamentos e cultivará as melhores qualidades morais. Quem não ama, se perde, porque cortou com a raiz de todos os valores da piedade.
Quantas e quantas vezes tenho ouvido lamentações de pessoas
que apresentam dificuldades em tocar a vida espiritual, em perseverar na
prática dos Mandamentos, ou pelo menos problemas para progredir na virtude.
Qual é a solução?
Uma das muitas soluções – porque a Igreja é a cidade da
salvação onde para tudo há diversas saídas – é exatamente aumentar a nossa Fé,
é aumentar o nosso amor à Igreja Católica. Aumentando esse amor, cresce
igualmente a nossa determinação para praticar o bem e a nossa repulsa ao mal.
E, cumpre notar que, muitas vezes, as pessoas não têm suficiente aversão ao
mal, porque no fundo não têm suficiente amor à Igreja.
A Igreja é a figura de Nossa Senhora, e é resplandecente e
bela na terra, e devemos procurar amá-la a fim de nos prepararmos para amar
Nossa Senhora no Céu. É necessário que tenhamos os olhos sempre voltados para a
Igreja eterna, a Igreja imutável, que não se identifica com as misérias
presentes e transitórias, a Igreja que devemos amar acima de todas as coisas no
mundo. A Igreja na sua hierarquia, nos seus mil aspetos verdadeiramente
divinos.
Recordemos, por exemplo, tudo quanto há de belo na
infalibilidade papal, na figura de um homem infalível, governando a todos e a
todos ensinando o caminho da verdade, num governo que não é temporal, mas do
espírito. Nunca se concebeu, em matéria de governo, algo de tão bonito, de tão
nobre quanto isso.
Consideremos, de outro lado, a Eucaristia. Deus
verdadeira e realmente presente entre nós, embora oculto de modo misterioso sob
as espécies eucarísticas, conferindo ao homem a possibilidade de ter com Deus um
convívio tão íntimo e até insondável. Deus entra nesse homem e como que Se faz
um com ele. Pode-se imaginar coisa mais esplêndida do que o Todo-Poderoso
condescender em ter tal familiaridade com cada um dos homens que Ele criou?
Depois, o sacramento da Penitência. Pode-se conceber que
inferno seria o mundo sem o confessionário? Se nós não pudéssemos nos abrir
sobre os nossos pecados, e não tivéssemos a certeza do perdão? Que horror seria
a incerteza sobre se Deus nos perdoou ou não, se estamos ou não em estado de
graça, etc., etc.
Que obra-prima de sabedoria existe no confessionário, e
no facto do segredo da confissão nunca ser traído!
E quanto mais o mundo afunda numa decadência moral, mais
aparece os raios de luz que partem da Igreja, mais compreendemos o quanto ela é
bela e digna de amor.
Quando nós pensarmos em tudo isso, encontraremos mais resolução
para combater os nossos pecados e para praticar a virtude.
Que Nossa Senhora das Mercês nos ajude a isso. “mercê” é
uma graça, é um favor. Nossa Senhora das Mercês é Nossa Senhora dos favores, disposta
a todo momento a conceder-nos dons excelentes e a convidar-nos a pedi-los.
Tenhamos para com Ela esse tipo de relação muito filial e
muito confiante, certos de que sobre nós descerão as misericórdias da nossa Mãe
santíssima.
Plinio Corrêa de Oliveira
A Civilização Cristã e a irradiação do esplendor de Deus na Terra
A Igreja Católica é uma chama que reluz em qualquer atmosfera. A Igreja recebe a sua luminosidade intrínseca, não dos homens, mas do próprio Sol de Justiça que é Jesus Cristo. No entanto, é preciso não esquecer que o brilho dessa chama divina pode irradiar-se mais, ou menos, conforme a capacidade do ar em que arde.
A civilização cristã é a atmosfera serena e diáfana, que permite
a irradiação omnímoda da chama evangélica. As civilizações pagãs, pelo
contrário, saturam de vapores a atmosfera social e toldam habitualmente, com as
nuvens espessas dos preconceitos e das paixões, a plena visibilidade, a
universal irradiação do esplendor d’Aquele que foi posto como “Luz para se
revelar às nações” (Lc 2, 32).
No fim da Idade Média, essa estrutura trincou-se. Aos poucos,
agravou-se a crise, e hoje ela está em franca liquidação. Pobre e grande
civilização cristã, no caos de hoje apenas emerge um ou outro dos seus
gloriosos capitéis, as derradeiras ogivas que a sanha dos bárbaros ainda não
abateu.
Amamos estes santos e nobres destroços com o amor ardente
e as saudades abrasadoras com que os antigos judeus olhavam para as ruínas do
Templo destruído e abandonado.
Sim, amamos as ruínas, e se destas nada restasse, amaríamos
ainda sua poeira. E para nós, que estamos entre os escombros dessa grande cidadela
em ruínas, o problema não é de saber se se poupará ainda este ou aquele resto
de coluna ou de muralha. É a grande batalha que, de um momento para outro, se
começará quiçá a travar, a batalha última e decisiva há tanto tempo prenunciada
pelos De Maistre e pelos Veuillot. A grande questão é, pois, saber se, sim ou
não, a obra há de ser refeita; se os últimos destroços da Civilização Cristã
serão abatidos para dar lugar à Torre de Babel, ou se os obreiros da confusão
serão expulsos do mundo [...], se os vendilhões, os aventureiros, os apóstatas
e os demolidores de toda espécie serão escorraçados do recinto sacral do mundo
cristão, para que os filhos da luz ergam novamente a grande Cidade que é o
Reino de Deus entre os homens.
Há em gérmen uma terrível e gravíssima opção ideológica,
que nos espreita nessa tormentosa encruzilhada de caminhos políticos. Discutam
uns a quem pertencerá o mando, e outros de que maneira se organizarão as
finanças; quanto a nós, detemo-nos no marco divisor das rotas, procurando
conhecer os fantasmas confusos que nos aguardam ao longo dos caminhos... de
todos os caminhos.
Os problemas presentes contêm no seu âmago as mais radicais
consequências para o futuro, um futuro por sua vez tão grave que nele a
humanidade quase inteira pode abandonar ou reconquistar a rota da eternidade. É
esta a situação a que chegamos. Não lhe diminuamos o alcance, reduzindo-a ou
resumindo-a como se todos os interesses da Igreja se cifrassem apenas a alguns
poucos retoques no edifício social.
Plinio Corrêa de Oliveira



