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sábado, 14 de março de 2026

Domingos Sávio, o santo de coração puro, primeiro aluno do Oratório de Dom Bosco a ser canonizado


“É mais fácil encontrar ouro do que um coração puro como o de Domingos Sávio”, afirmava
São João Bosco


Domingos Sávio foi o primeiro aluno do Oratório de São João Bosco a ser canonizado, tornando-se modelo de santidade acessível para todos os jovens.

Domingos nasceu a 2 de abril de 1842, em San Giovanni di Riva, na Itália. Desde pequeno destacou-se pela sua maturidade espiritual, pela alegria e pela dedicação à oração e aos sacramentos. Ainda em criança traçou um plano de vida que incluía a comunhão frequente e a decisão firme de “antes morrer do que pecar”.

Aos 12 anos, pediu a Dom Bosco para entrar no Oratório de Turim, com o desejo de se tornar sacerdote. No oratório foi sempre exemplo de serenidade, estudo, serviço e amizade. Ensinava o catecismo, cuidava dos doentes e era presença pacificadora no meio de conflitos. O seu lema era claro: “Antes morrer do que pecar”.

Em 1856, fundou a “Companhia da Imaculada”, grupo apostólico juvenil que incentivava a ação evangelizadora entre os colegas do oratório.

Faleceu no dia 9 de março de 1857, com apenas 14 anos. Foi canonizado pelo Papa Pio XII no dia 12 de junho de 1954, tornando-se até aquela data (agora são os Pastorinhos de Fátima) o santo, não mártir, mais novo da Igreja Católica.

Sem a noção clara do que é o pecado, a santidade torna-se uma meta incompreensível


O pecado é uma palavra que hoje parece ter desaparecido. “Na consciência comum – e às vezes também na vida da Igreja – tudo é explicado como fragilidade, ferida, limite, condicionamento. Quando ainda se fala de pecado, muitas vezes ele é reduzido a um pequeno erro ou a uma fraqueza”. Se nos limitarmos a isso, desaparece também “a grandeza da liberdade humana e da sua responsabilidade”.

 

Se não existe mais a possibilidade de um mal verdadeiro, não podemos acreditar nem mesmo na possibilidade de um bem verdadeiro. Se o pecado desaparece, também a santidade se torna um destino abstrato e incompreensível.

 

No pecado, o homem reconhece que “a sua liberdade é real e que com ela pode construir e destruir: a si mesmo, aos outros, ao mundo”. É necessária, portanto, “uma cura profunda”, por isso a conversão é “um itinerário exigente” para recuperar a relação com Deus, uma repetição nos gestos da escolha de viver no amor e na liberdade, mesmo com esforço, que não é em si “estéril”, mas expressão da “fidelidade de quem já vislumbrou o sentido e o valor do que vive”.

 

Padre Roberto Pasolini, Pregador da Casa Pontifícia, primeira meditação da Quaresma, 6/3/2026  - Foto Vatican Media

O amor à Igreja faz crescer a determinação para praticar o bem e para recusar o mal


O amor a Deus é a fonte de todas as virtudes. Quem ama se salva, porque depois praticará os Mandamentos e cultivará as melhores qualidades morais. Quem não ama, se perde, porque cortou com a raiz de todos os valores da piedade.

 

Quantas e quantas vezes tenho ouvido lamentações de pessoas que apresentam dificuldades em tocar a vida espiritual, em perseverar na prática dos Mandamentos, ou pelo menos problemas para progredir na virtude.

 

Qual é a solução?

 

Uma das muitas soluções – porque a Igreja é a cidade da salvação onde para tudo há diversas saídas – é exatamente aumentar a nossa Fé, é aumentar o nosso amor à Igreja Católica. Aumentando esse amor, cresce igualmente a nossa determinação para praticar o bem e a nossa repulsa ao mal. E, cumpre notar que, muitas vezes, as pessoas não têm suficiente aversão ao mal, porque no fundo não têm suficiente amor à Igreja.

 

A Igreja é a figura de Nossa Senhora, e é resplandecente e bela na terra, e devemos procurar amá-la a fim de nos prepararmos para amar Nossa Senhora no Céu. É necessário que tenhamos os olhos sempre voltados para a Igreja eterna, a Igreja imutável, que não se identifica com as misérias presentes e transitórias, a Igreja que devemos amar acima de todas as coisas no mundo. A Igreja na sua hierarquia, nos seus mil aspetos verdadeiramente divinos.

 

Recordemos, por exemplo, tudo quanto há de belo na infalibilidade papal, na figura de um homem infalível, governando a todos e a todos ensinando o caminho da verdade, num governo que não é temporal, mas do espírito. Nunca se concebeu, em matéria de governo, algo de tão bonito, de tão nobre quanto isso.

 

Consideremos, de outro lado, a Eucaristia. Deus verdadeira e realmente presente entre nós, embora oculto de modo misterioso sob as espécies eucarísticas, conferindo ao homem a possibilidade de ter com Deus um convívio tão íntimo e até insondável. Deus entra nesse homem e como que Se faz um com ele. Pode-se imaginar coisa mais esplêndida do que o Todo-Poderoso condescender em ter tal familiaridade com cada um dos homens que Ele criou?

 

Depois, o sacramento da Penitência. Pode-se conceber que inferno seria o mundo sem o confessionário? Se nós não pudéssemos nos abrir sobre os nossos pecados, e não tivéssemos a certeza do perdão? Que horror seria a incerteza sobre se Deus nos perdoou ou não, se estamos ou não em estado de graça, etc., etc.

 

Que obra-prima de sabedoria existe no confessionário, e no facto do segredo da confissão nunca ser traído!

 

E quanto mais o mundo afunda numa decadência moral, mais aparece os raios de luz que partem da Igreja, mais compreendemos o quanto ela é bela e digna de amor.

 

Quando nós pensarmos em tudo isso, encontraremos mais resolução para combater os nossos pecados e para praticar a virtude.

 

Que Nossa Senhora das Mercês nos ajude a isso. “mercê” é uma graça, é um favor. Nossa Senhora das Mercês é Nossa Senhora dos favores, disposta a todo momento a conceder-nos dons excelentes e a convidar-nos a pedi-los.

 

Tenhamos para com Ela esse tipo de relação muito filial e muito confiante, certos de que sobre nós descerão as misericórdias da nossa Mãe santíssima.

 

Plinio Corrêa de Oliveira

A Civilização Cristã e a irradiação do esplendor de Deus na Terra

A Igreja Católica é uma chama que reluz em qualquer atmosfera. A Igreja recebe a sua luminosidade intrínseca, não dos homens, mas do próprio Sol de Justiça que é Jesus Cristo. No entanto, é preciso não esquecer que o brilho dessa chama divina pode irradiar-se mais, ou menos, conforme a capacidade do ar em que arde.

 

A civilização cristã é a atmosfera serena e diáfana, que permite a irradiação omnímoda da chama evangélica. As civilizações pagãs, pelo contrário, saturam de vapores a atmosfera social e toldam habitualmente, com as nuvens espessas dos preconceitos e das paixões, a plena visibilidade, a universal irradiação do esplendor d’Aquele que foi posto como “Luz para se revelar às nações” (Lc 2, 32).

 

No fim da Idade Média, essa estrutura trincou-se. Aos poucos, agravou-se a crise, e hoje ela está em franca liquidação. Pobre e grande civilização cristã, no caos de hoje apenas emerge um ou outro dos seus gloriosos capitéis, as derradeiras ogivas que a sanha dos bárbaros ainda não abateu.

 

Amamos estes santos e nobres destroços com o amor ardente e as saudades abrasadoras com que os antigos judeus olhavam para as ruínas do Templo destruído e abandonado.

 

Sim, amamos as ruínas, e se destas nada restasse, amaríamos ainda sua poeira. E para nós, que estamos entre os escombros dessa grande cidadela em ruínas, o problema não é de saber se se poupará ainda este ou aquele resto de coluna ou de muralha. É a grande batalha que, de um momento para outro, se começará quiçá a travar, a batalha última e decisiva há tanto tempo prenunciada pelos De Maistre e pelos Veuillot. A grande questão é, pois, saber se, sim ou não, a obra há de ser refeita; se os últimos destroços da Civilização Cristã serão abatidos para dar lugar à Torre de Babel, ou se os obreiros da confusão serão expulsos do mundo [...], se os vendilhões, os aventureiros, os apóstatas e os demolidores de toda espécie serão escorraçados do recinto sacral do mundo cristão, para que os filhos da luz ergam novamente a grande Cidade que é o Reino de Deus entre os homens.

 

Há em gérmen uma terrível e gravíssima opção ideológica, que nos espreita nessa tormentosa encruzilhada de caminhos políticos. Discutam uns a quem pertencerá o mando, e outros de que maneira se organizarão as finanças; quanto a nós, detemo-nos no marco divisor das rotas, procurando conhecer os fantasmas confusos que nos aguardam ao longo dos caminhos... de todos os caminhos.

 

Os problemas presentes contêm no seu âmago as mais radicais consequências para o futuro, um futuro por sua vez tão grave que nele a humanidade quase inteira pode abandonar ou reconquistar a rota da eternidade. É esta a situação a que chegamos. Não lhe diminuamos o alcance, reduzindo-a ou resumindo-a como se todos os interesses da Igreja se cifrassem apenas a alguns poucos retoques no edifício social.

 

Plinio Corrêa de Oliveira