O pecado é uma palavra que hoje parece ter desaparecido. “Na consciência comum – e às vezes também na vida da Igreja – tudo é explicado como fragilidade, ferida, limite, condicionamento. Quando ainda se fala de pecado, muitas vezes ele é reduzido a um pequeno erro ou a uma fraqueza”. Se nos limitarmos a isso, desaparece também “a grandeza da liberdade humana e da sua responsabilidade”.
Se não existe mais a possibilidade de um mal verdadeiro,
não podemos acreditar nem mesmo na possibilidade de um bem verdadeiro. Se o
pecado desaparece, também a santidade se torna um destino abstrato e
incompreensível.
No pecado, o homem reconhece que “a sua liberdade é real
e que com ela pode construir e destruir: a si mesmo, aos outros, ao mundo”. É
necessária, portanto, “uma cura profunda”, por isso a conversão é “um
itinerário exigente” para recuperar a relação com Deus, uma repetição nos
gestos da escolha de viver no amor e na liberdade, mesmo com esforço, que não é
em si “estéril”, mas expressão da “fidelidade de quem já vislumbrou o sentido e
o valor do que vive”.
Padre Roberto Pasolini, Pregador da Casa Pontifícia, primeira
meditação da Quaresma, 6/3/2026 - Foto
Vatican Media
