O amor a Deus é a fonte de todas as virtudes. Quem ama se salva, porque depois praticará os Mandamentos e cultivará as melhores qualidades morais. Quem não ama, se perde, porque cortou com a raiz de todos os valores da piedade.
Quantas e quantas vezes tenho ouvido lamentações de pessoas
que apresentam dificuldades em tocar a vida espiritual, em perseverar na
prática dos Mandamentos, ou pelo menos problemas para progredir na virtude.
Qual é a solução?
Uma das muitas soluções – porque a Igreja é a cidade da
salvação onde para tudo há diversas saídas – é exatamente aumentar a nossa Fé,
é aumentar o nosso amor à Igreja Católica. Aumentando esse amor, cresce
igualmente a nossa determinação para praticar o bem e a nossa repulsa ao mal.
E, cumpre notar que, muitas vezes, as pessoas não têm suficiente aversão ao
mal, porque no fundo não têm suficiente amor à Igreja.
A Igreja é a figura de Nossa Senhora, e é resplandecente e
bela na terra, e devemos procurar amá-la a fim de nos prepararmos para amar
Nossa Senhora no Céu. É necessário que tenhamos os olhos sempre voltados para a
Igreja eterna, a Igreja imutável, que não se identifica com as misérias
presentes e transitórias, a Igreja que devemos amar acima de todas as coisas no
mundo. A Igreja na sua hierarquia, nos seus mil aspetos verdadeiramente
divinos.
Recordemos, por exemplo, tudo quanto há de belo na
infalibilidade papal, na figura de um homem infalível, governando a todos e a
todos ensinando o caminho da verdade, num governo que não é temporal, mas do
espírito. Nunca se concebeu, em matéria de governo, algo de tão bonito, de tão
nobre quanto isso.
Consideremos, de outro lado, a Eucaristia. Deus
verdadeira e realmente presente entre nós, embora oculto de modo misterioso sob
as espécies eucarísticas, conferindo ao homem a possibilidade de ter com Deus um
convívio tão íntimo e até insondável. Deus entra nesse homem e como que Se faz
um com ele. Pode-se imaginar coisa mais esplêndida do que o Todo-Poderoso
condescender em ter tal familiaridade com cada um dos homens que Ele criou?
Depois, o sacramento da Penitência. Pode-se conceber que
inferno seria o mundo sem o confessionário? Se nós não pudéssemos nos abrir
sobre os nossos pecados, e não tivéssemos a certeza do perdão? Que horror seria
a incerteza sobre se Deus nos perdoou ou não, se estamos ou não em estado de
graça, etc., etc.
Que obra-prima de sabedoria existe no confessionário, e
no facto do segredo da confissão nunca ser traído!
E quanto mais o mundo afunda numa decadência moral, mais
aparece os raios de luz que partem da Igreja, mais compreendemos o quanto ela é
bela e digna de amor.
Quando nós pensarmos em tudo isso, encontraremos mais resolução
para combater os nossos pecados e para praticar a virtude.
Que Nossa Senhora das Mercês nos ajude a isso. “mercê” é
uma graça, é um favor. Nossa Senhora das Mercês é Nossa Senhora dos favores, disposta
a todo momento a conceder-nos dons excelentes e a convidar-nos a pedi-los.
Tenhamos para com Ela esse tipo de relação muito filial e
muito confiante, certos de que sobre nós descerão as misericórdias da nossa Mãe
santíssima.
Plinio Corrêa de Oliveira

Sem comentários:
Enviar um comentário