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quarta-feira, 21 de abril de 2021

Dona Lucília: Serenidade, gravidade e bondade

 

“O misto de seriedade, de gravidade, de bondade e até de meiguice que se exprimem na fisionomia de Dona Lucília são qualidades que existem nela de um modo tão excelente, e que se combinam para formar um todo tão agradável de ver no seu conjunto, que se fica com a vontade de olhar indefinidamente” (...).

“Vê-se, nesta fotografia, que Dona Lucília era uma senhora que tinha atingido uma idade extrema. Ela estava com noventa e dois anos nessa ocasião, idade em que falecem os que morrem tarde. Foi uma pessoa que não exerceu nenhuma profissão. Entretanto percebe-se que ela carrega consigo um grande cansaço. Cansaço do quê? Em parte, é o que nós poderíamos chamar o cansaço do equilíbrio.

“Cansa estar procurando o equilíbrio em tudo, e cumprindo a justiça em tudo. Levar uma vida inteiramente dentro dos Mandamentos é preparar-se para o Céu, mas ainda não é o Céu. Pelo contrário, é o sofrer na Terra para chegar até lá.

“Vemos aí o extremo cansaço de inúmeras dores, de incontáveis deveres cumpridos, de situações difíceis enfrentadas e vencidas sem a menor pretensão. Ninguém, olhando para ela, diria o seguinte: “Essa senhora se considera um colosso.” Nada, nem um pouco, nem passa pela cabeça dela isso. Porquê? Equilíbrio! (...).

Consolação encontrada no Sagrado Coração de Jesus

“Dona Lucília foi compreendendo que na época em que ela vivia as relações já não eram movidas senão por interesse, e que o afeto desinteressado fazia parte do tempo expirante do romantismo.

“Com a modernidade tinha entrado a brutalidade, o interesse pessoal, o pouco caso pelos outros que sofrem e o desprezo. Isso marcou uma grande tristeza na vida dela, por compreender que tudo não era senão isolamento, pois todo mundo era assim e ela não teria possibilidade de encontrar quem tivesse para com ela a forma de afeto e de união de alma que ela quereria ter com tantas pessoas.

“Daí, então, uma espécie de problema axiológico: “Como é a vida? Como devo fazer? Como preciso entender as coisas?” Onde entrava uma profunda deceção e um modo muito severo, inteiramente real e exato, de ver os outros. (...) Com o seu bom senso, sua retidão moral, ela radiografou a existência e compreendeu como era.

“Daí uma grande deceção, mas também uma enorme consolação, pois se vê bem tudo quanto nela confluía ao Sagrado Coração de Jesus, que exatamente é “Fonte de toda consolação”, segundo uma das invocações da Ladainha do Sagrado Coração de Jesus. É verdade que se na vida encontrarmos apenas deceções, encontraremos a Ele, que é a Fonte de toda consolação”.

Plinio Corrêa de Oliveira, Conferências de 12 de janeiro de 1994 e 8 de fevereiro de 1995

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