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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Virtudes infusas no pensamento de São Tomás


As virtudes infusas, isto é, produzidas diretamente por Deus em nós, sem o nosso concurso, destinam-se a aperfeiçoar as faculdades da nossa alma: inteligência e vontade. Em primeiro lugar, proporcionando-as, de certa forma, ao seu objeto de conhecimento e amor, ou seja, Deus "como Ele é em si mesmo". A inteligência e a vontade recebem um grupo de virtudes, puramente sobrenaturais, às quais dá-se o nome de virtudes teologais, porque tem Deus como objeto. São elas a fé, a esperança e a caridade.

A primeira, na ordem da geração e na ordem lógica, é a fé, mas a mais excelente é a caridade.

A fé é uma virtude que eleva a inteligência, sugerindo-lhe certas verdades que por si só nunca poderia atingir e, ao mesmo tempo, inclina a inteligência a aquiescer.

A esperança e a caridade ordenam a vontade, não em função dos bens naturais, mas em relação ao próprio Deus, tal como a fé no-Lo revela.

A fé e a esperança podem existir em estado imperfeito sem a caridade, mas só com ela podem chegar a Deus.

A esperança orienta os nossos desejos, nosso querer, para a Bem-aventurança, que a fé revela à inteligência, mas a caridade ou amor sobrenatural faz com que a alma inteira adira o seu Soberano Bem. Ela é um amor de dileção, quer dizer de escolha por Deus. Ela prefere-O a tudo, tem sede de conhecê-Lo mais e não só O ama, mas tudo o que vem dEle. Ora, tudo o que existe (excepto o mal, que é uma privação) tem Deus como causa primeira. É, pois, por Deus que a alma procurará todas as coisas boas, todo aperfeiçoamento pessoal, todo serviço ao próximo, tudo será feito por amor de Deus, por caridade.

Virtudes morais infusas

As virtudes de justiça, força, prudência, temperança, puramente humanas, não podem pretender entrar nesta ordem da caridade, que as ultrapassa infinitamente. Também, as virtudes morais infusas de justiça, força, prudência, temperança são dadas à alma ao mesmo tempo que a caridade e a graça.

As virtudes morais, humanas ou civis, como as qualifica São Tomás, regulam os costumes segundo a razão.

As virtudes morais infusas regulam os costumes dos cristãos segundo o julgamento da fé. O seu justo meio desloca-se, pois a atividade moral não é mais medida através de um exemplar ideal de perfeição humana (o homem virtuoso é a regra da virtude, segundo Aristóteles) mas na própria perfeição divina, “sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito!” (Mt 5, 43-48).

A conexão das virtudes morais civis faz-se na virtude da prudência: a conexão das virtudes cristãs morais e teologais opera-se na virtude da caridade.

As virtudes morais infusas são poderes de ação sobrenatural, mas não são faculdades. É preciso que o exercício ou ascése venha a dar à virtude infusa o bom instrumento da virtude adquirida correspondente, para que a virtude infusa possa desenvolver-se na alma e produzir atos perfeitos com segurança, facilidade e alegria. Pois, no terreno das virtudes infusas, são as faculdades humanas que agem por si próprias, apesar dos seus atos terem um alcance sobrehumano.